Rastreio de DST’s: esfregaço vaginal mais sensível do que amostra de urina

 

 

Pergunta clínica: Serão as amostras de urina tão fiáveis como as amostras vaginais para detetar Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, e Trichomonas vaginalis em mulheres?

Desenho do estudo: Nesta meta-análise, pretendia-se avaliar a sensibilidade diagnóstica de testes com amostra vaginal disponíveis vs amostra de urina para diagnosticar clamídia, gonorreia ou tricomoníase, em mulheres. Para isso, foram selecionados artigos de 1995 a 2021 com os seguintes critérios de inclusão:
1) Estudos com avaliação de testes comercialmente disponíveis;
2) Estudos que apresentassem dados para mulheres;
3) Estudos que incluíssem dados obtidos de amostra de urina e esfregaço vaginal da mesma paciente;
4) Estudos que utilizassem um teste padrão como referência;
5) Publicação em inglês.
Para cada um dos estudos foram calculadas as estimativas agrupadas para a sensibilidade e intervalos de confiança correspondentes para cada microorganismo, bem com os odds ratios para qualquer diferença de performance.

Resultados: Foram selecionados 28 artigos com 30 comparações para a clamídia, 16 comparações para gonorreia e 9 comparações para tricomoníase. As estimativas para sensibilidade do esfregaço vaginal vs amostras de urina foram, respetivamente, 94,1% vs 86,9% para clamídia, 96,5% vs 90,7% para gonorreia, e 98,0% vs 95,1% para tricomoníase. Assim, recomenda-se as amostras vaginais como amostra ideal para testar mulheres (p<0,001 para as três infeções).

Comentário: É algo estranho, mas os autores apenas apresentam as sensibilidades para cada tipo de amostra e análise, não fazendo referência às especificidades. Isto pode indiciar que os autores tenham decidido avaliar a fiabilidade destas duas metodologias de análise mais sob a perspetiva de rastreio e não tanto como teste de diagnóstico. Para um teste de rastreio é fundamental a adoção de um teste de elevada sensibilidade. Contudo, sem os resultados das especificidades, acabamos por não ter uma avaliação integral da fiabilidade destes testes.
Pelo menos até obtenção dos dados de especificidade, o método do diagnóstico preferencial deve continuar a ser o esfregaço vaginal.

Artigo Original: Ann Fam Med

Por Maria Santos, USF Viseu-Cidade

 

 

 

 

 

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