Rastreio de cancro de pulmão com TC de baixa dose: o que vem depois?

 

 

Após ajuste utilizando o grupo de controlo, verificou-se que aos 12 meses de seguimento, 17,7% realizaram novos exames imagiológicos e 3,1% foram submetidos a procedimentos invasivos

 

Pergunta clínica: Qual a taxa de exames imagiológicos e procedimentos invasivos subsequentes ao rastreio do cancro do pulmão através de tomografia computorizada de baixa dose?

Desenho do estudo: Estudo de coorte retrospectivo realizado nos EUA em pacientes com idades entre 55 e 80 anos que fizeram uma tomografia computorizada de baixa dose no ano de 2016. Estes pacientes foram emparelhados com outro coorte de características idênticas, mas que não realizou tomografia computorizada de baixa dose. Procuraram-se exames de imagem de tórax e quaisquer procedimentos que tivessem sido despoletados para seguimento de um achado anormal no rastreio. 

Resultados: Incluíram-se 11520 pacientes submetidos a tomografia computorizada de baixa dose. Após ajuste utilizando o grupo de controlo, verificou-se que aos 12 meses de seguimento, 17,7% realizaram novos exames imagiológicos (98% realizaram TC) e 3,1% foram submetidos a procedimentos invasivos (2% a broncoscopia, 1,3% a biópsia percutânea, 0,9% a toracoscopia, 0,2% a mediastinoscopia e 0,4% a toracotomia). 

Comentário: Se compararmos estes dados do mundo real com os do National Lung Screening Trial, no presente estudo registou-se menor taxa de exames imagiológicos adicionais, mas maior taxa de procedimentos invasivos, à excepção da toracotomia. Na interpretação dos resultados, devem ser consideradas algumas limitações deste estudo: não especifica os critérios de inclusão dos doentes para este tipo de rastreio nem as comorbilidades para emparelhamento da população; os dados relativos aos exames/procedimentos no seguimento basearam-se apenas na codificação, não tendo os autores acesso ao motivo do exame nem aos resultados dos mesmos; poderá ter havido indicação para novo teste, que não tenha sido realizado (perdendo-se o
seguimento). Em conclusão, apesar de aparentemente ser baixa a taxa de testes subsequentes pós tomografia computorizada de baixa dose, a extrapolação para a população não pode ser ainda feita. Como em todos os rastreios, será necessário acompanhar o balanço de benefícios e riscos. 

Artigo original: Chest

Por Ana Carolina C. Marques, USF Vale do Sorraia

 

 

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