Recomendação USPSTF: Ácido acetilsalicílico em baixa dose para grávidas em risco de pré-eclâmpsia

 

 

Pergunta clínica: Em grávidas com elevado risco de pré-eclâmpsia, a profilaxia com ácido acetilsalicílico em baixa dose é mais eficaz do que o placebo na prevenção da pré-eclâmpsia, do parto pré-termo, da restrição do crescimento intrauterino e da mortalidade perinatal?

Desenho do estudo: A United States Preventive Services Task Force (USPSTF) emitiu uma orientação clínica na qual expõe recomendações baseadas numa revisão sistemática. Foram incluídos ensaios com grávidas com risco elevado de pré-eclâmpsia sem história de eventos adversos ou contra-indicações para a toma de ácido acetilsalicílico. A intervenção consistiu na introdução do acido acetilsalicílico antes das 20 semanas de gestação, utilizando doses entre 50 e 150 mg/dia. Foram analisados 18 ensaios clínicos aleatorizados (n = 15 908) para avaliação dos marcadores (outcomes) de saúde maternos e perinatais e 16 ensaios clínicos aleatorizados (n = 15 767) para avaliação da prevenção da pré-eclâmpsia.

Resultados: O ácido acetilsalicílico em baixa dose em grávidas com alto risco de pré-eclâmpsia associou-se a menor risco de pré-eclâmpsia, de parto pré-termo, de restrição do crescimento intrauterino e de mortalidade perinatal. Esta profilaxia não se associou a maior risco hemorrágico (materno ou fetal), malformações ou encerramento prematuro do canal arterial. Nesta actualização de 2021 da recomendação da USPSTF continua, assim, a ser indicado o ácido acetilsalicílico em baixa dose (81 mg/dia) para prevenção da pré-eclâmpsia após as 12 semanas de gestação em grávidas de risco (recomendação de grau B).

Comentário: A manutenção desta recomendação encontra-se em linha com múltiplas outras organizações (por exemplo, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, a Sociedade para a Medicina Materno-fetal e a Organização Mundial de Saúde). O ácido acetilsalicílico está especificamente recomendado na presença de uma ou mais das seguintes condições de alto risco: história de pré-eclâmpsia, gestação multípla, hipertensão crónica, diabetes prévia, doença renal, doença auto-imune. Também está indicada se existirem duas ou mais das seguintes condições consideradas de risco moderado: nuliparidade, índice de massa corporal superior a 30, história familiar de pré-eclâmpsia na mãe ou irmã, idade igual ou superior a 35 anos, baixos rendimentos, concepção in vitro, história pessoal de baixo peso ao nascer, evento adverso prévio na gravidez ou intervalo entre gestações superior a 10 anos. Daqui se depreende que muitas das grávidas que seguimos em consulta reúnem critérios, sendo frequente acompanharmos grávidas com mais de 35 anos, obesidade e nulíparas – de notar que bastam apenas dois destes fatores para estar recomendada a profilaxia.

Artigo original: JAMA

Por Maria Beatriz Morgado, USF Cova da Piedade

 

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