Suplementos e atividade física: um tema frequente na prática clínica

A suplementação desportiva constitui na atualidade um tema polémico entre os médicos e nutricionistas mais conservadores. Inúmeros estudos científicos abordam esta questão, existindo uma grande controvérsia sobre os seus benefícios versus malefícios. O facto é que, hoje em dia, a indústria da suplementação é um negócio em crescimento exponencial e está-se a transformar num “lobby” onde os interesses económicos falam mais alto, e onde a ambição e vontade de atingir os objetivos, seja um corpo escultural ou mesmo o pódio, fazem dos amadores e atletas desportivos um alvo frágil e fácil de atingir.

Os suplementos nutricionais são principalmente utilizados pelos praticantes desportivos no sentido de otimizar o seu rendimento físico, apesar da eficácia da ingestão de muitos destes suplementos ainda não estar confirmada cientificamente. Infelizmente, verifica-se que em muito casos, o principal motivo do seu consumo não está diretamente relacionado com as necessidades específicas da sua modalidade desportiva, mas sim por estarem convictos que a vitória sobre o seu adversário ou a aquisição da tão almejada forma física se deve à toma de determinado suplemento desportivo.

Apesar de ser verdade que uma alimentação equilibrada e rica nos diversos macronutrientes, micronutrientes e líquidos, em conjunto com uma correta educação nutricional, garanta tudo aquilo que o desportista necessita para preservar a saúde e otimizar o seu rendimento desportivo, sabemos hoje que muitos atletas tendem a recorrer ao uso de suplementos alimentares, apesar dos riscos que estes possam acarretar ao nível da alta competição. Estudos científicos têm demonstrado que uma significativa percentagem de suplementos nutricionais comercializados atualmente está contaminada, intencionalmente ou não, com substâncias incluídas na lista de substâncias e métodos proibidos da Agência Mundial Antidopagem. Na realidade isto ocorre, porque a comercialização destes suplementos nutricionais não passa por qualquer tipo de controlo que verifique se a composição do produto presente nas embalagens corresponde ao mencionado no rótulo, ao contrário do que acontece habitualmente com qualquer medicamento comercializado nas farmácias os quais são obrigatoriamente fiscalizados pelo Infarmed. Como se compreende, a fiscalização de produtos obrigaria a indústria da suplementação desportiva a gastar na ordem dos milhões de euros ou dólares de forma a verificar a pureza e qualidade dos produtos dos mesmos, e mesmo assim, a análise laboratorial não oferece igualmente garantias, pois podem coexistir lotes do mesmo suplemento contaminados com substâncias proibidas e outros não.

Assim sendo, a ADA (American Diabetes Association) e a ACSM (American College of Sports Medicine) recomendam por isso que, suplementos com efeito ergogénico, devem ser utilizados com precaução e apenas após avaliação cuidada da sua potência, eficácia e segurança, e se existe ou não contaminação por substâncias ilícitas. O aconselhamento nutricional por um nutricionista qualificado deve ser disponibilizado aos desportistas após uma revisão do seu estado de saúde, da sua dieta, da sua medicação e suplementação habitual.


Por Inês Gui Proença, USF Espaço Saúde- ACeS Porto Ocidental

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