Terapêutica hormonal de substituição – benefícios e malefícios

Por Mariana Rio, USF São João do Porto

Pergunta clínica: Qual o equilíbrio entre os benefícios e malefícios da terapêutica hormonal de substituição (THS)?

Comentário: A THS, quer com estrogénio apenas quer em combinação com um progestativo, era utilizada por rotina para a prevenção de doença cardiovascular (CV), demência e osteoporose. No entanto, a presença de efeitos adversos importantes fez com que o seu uso fosse desaconselhado, estando apenas indicada no tratamento de curta duração dos sintomas vasomotores e atrofia urogenital da menopausa e na prevenção da osteoporose.

Esta meta-análise compara os efeitos da THS na redução do risco de ter doenças crónicas com os seus efeitos adversos, estudando diferentes subgrupos (menopausa prematura; menopausa cirúrgica; idade; tipo, dose e método de THS; presença de comorbilidades). A população-alvo escolhida foi a de mulheres em fase pós-menopáusica, sem patologia pró-trombótica nem cancro hormono-sensível. Os resultados obtidos reportavam-se à utilização da THS de longa duração.

Benefícios:

– Redução da incidência e da mortalidade por cancro da mama invasivo na THS com estrogénio.
– Redução na incidência de Diabetes Mellitus e do número total de fraturas, da anca e vertebrais com a THS combinada.

Malefícios:

– Aumento da incidência e mortalidade por cancro da mama, resultados anormais da mamografia, tumores com dimensões maiores e estadios mais avançados de cancro; aumento dos eventos tromboembólicos; aumento da mortalidade por cancro do pulmão com a THS combinada.
– Aumento do número de colecistites e colecistectomias, da incidência de enfarte agudo do miocárdio e da incidência de incontinência urinária, quer com THS com estrogénio, quer em combinação com progestativo.

O risco de cancro da mama estava aumentado em mulheres com história de uso de anticoncetivos orais ou nos casos de THS combinada em mulheres fumadoras. Foi encontrado um maior risco de doença CV em mulheres submetidas a THS combinada que tinham níveis elevados de colesterol LDL e naquelas com proteína C reativa aumentada a fazerem THS com estrogénio.

O efeito protetor contra as fraturas não teve qualquer relação com idade, índice de massa corporal, tabagismo, história de quedas, história familiar ou pessoal de fraturas, ingestão de cálcio, terapêutica hormonal prévia, densidade mineral óssea ou com o score de risco de fratura. A incontinência urinária relacionava-se com idades mais avançadas e maior distância temporal da menopausa.

Conclusão: Embora com alguns benefícios, a THS tem demasiados efeitos adversos que advogam contra a sua utilização de longa duração.

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