Porque é que se fazem rastreios de cancros?
Os rastreios de cancros, também designados por rastreios oncológicos, são realizados com o objectivo de detectar e resolver alterações no corpo humano, numa fase em que as pessoas ainda não apresentam queixas (fase assintomática), evitando, dessa forma, a progressão dessas alterações para cancro.
Pode rastrear-se todos os cancros?
Não. Na verdade, são muito poucos os cancros que é possível, e faz sentido, rastrear. Só faz sentido rastrear cancros que:
– apresentem um período assintomático longo;
– apresentem alterações que possam ser detectadas na fase assintomática;
– possuam tratamento dessas alterações que conduza efectivamente a um melhor resultado final;
– possuam testes de rastreio com qualidade, acessíveis e aceitáveis para os pacientes;
– possuam tratamento aceitável para os pacientes.
Infelizmente, uma parte significativa de cancros não possui estas características.
Os rastreios acarretam alguns riscos?
Sim. Sempre que uma pessoa é submetida a um teste médico (p. ex. uma análise, um raio x, uma biópsia…) corre alguns riscos. Eis alguns exemplos desses riscos:
– Sempre que efectuamos um raio x estamos a submeter o nosso organismo a uma certa dose de radiação. Estas radiações têm alguns efeitos secundários e podem ser indutoras de cancro.
– Qualquer teste pode dar um falso positivo ou um falso negativo, o que induz as pessoas em erro. Um erro natural, uma vez que apesar de todos os desenvolvimentos tecnológicos do mundo actual, ainda não existem meios de diagnóstico perfeitos. A Medicina não é uma ciência exacta, mas sim uma ciência de probabilidades.
– Um falso positivo pode induzir o paciente num estado de ansiedade e preocupação e muitas vezes é necessário recorrer a exames mais invasivos o que também acarreta desconforto físico para o paciente.
– Um falso negativo pode contribuir para o atraso de diagnóstico e impedir dessa forma o tratamento atempado.
Que rastreios devem ser efectuados?
À luz dos conhecimentos científicos actuais há três cancros que faz sentido rastrear:
Cancro da mama: recomenda-se o rastreio das mulheres dos 50 aos 69 anos através de mamografia, de 2 em 2 anos.
Cancro do colo do útero: recomenda-se o rastreio das mulheres com actividade sexual, pelo menos entre os 30 e os 60 anos, através da citologia cervical (papanicolau), de 3 em 3 anos, após dois exames anuais negativos.
Cancro do cólon e do recto: recomenda-se o rastreio das pessoas dos 50 aos 74 anos, através de pesquisa de sangue oculto nas fezes, anual ou de 2 e 2 anos. Um método alternativo de rastreio é a colonoscopia total.
Actualmente, discute-se se fará sentido rastrear o cancro da próstata. A decisão de rastrear ou não este cancro através da análise do PSA deve ser ponderada especificamente entre o paciente e o seu médico.
