A atividade física previne a Doença de Alzheimer?

Por Raquel Cunha, USF Bracara Augusta

– Segundo o artigo “ Total daily activity and the risk of AD and cognitive decline in older adults” publicado na revista “Neurology”, a atividade física total diária está relacionada com a incidência de Doença de Alzheimer (DA) e com a taxa de declínio cognitivo, nos idosos.

Neste estudo prospetivo e observacional, participaram 716 indivíduos sem demência, com idade média de 82 anos. Durante 10 dias usaram actígrafos nos seus pulsos, para quantificar a sua atividade física total diária: atividade desportiva e restante atividade física da vida diária.

Todos os participantes foram anualmente submetidos a exames clínicos e cognitivos.

Segundo análise criteriosa dos resultados, após 4 anos de follow-up, apenas 10% dos participantes desenvolveram DA.

Verificou-se que, segundo um modelo ajustado à idade, sexo e nível educacional, a atividade física total diária está relacionada com a incidência de DA. Esta associação permaneceu válida após ajuste do exercício relatado pelos próprios participantes, atividades intelectuais e sociais, nível de função motora, presença de sintomas depressivos, presença de doenças crónicas e status do alelo APOE4.

Os investigadores concluíram que:

–  um maior nível de atividade física total diária, está associado a menor risco de DA;

– a atividade física total diária, está relacionada com o nível cognitivo e com a taxa de declínio cognitivo anual.

Participantes com menor nível de atividade física, tinham um declínio cognitivo mais rápido e um risco superior de desenvolver DA em comparação com os participantes com maior nível de atividade física.

Ambas as conclusões mantiveram-se válidas, depois de consideradas as atividades sociais e intelectuais dos participantes, que também contribuem para a preservação cognitiva. O mesmo se verificou quando analisadas outras características “confundidoras” como a actividade motora, o IMC, doenças crónicas, etc.

A quantificação objetiva da actividade física pelos actígrafos, fornece resultados não enviesados pelo relato subjectivo da mesma pelos participantes, como verificado em estudos anteriores.

Por outro lado, a medição objetiva quantifica não só a actividade desportiva, mas também atividades rotineiras até então desvalorizadas, como cozinhar ou jogar cartas, actividades que envolvem igualmente o dispêndio de energia.

Assim, este estudo não só encoraja a prática desportiva, como também leva à consciencialização de que o aumento do espetro de atividades rotineiras é benéfico, o que pode ser particularmente vantajoso nos idosos com limitações físicas inerentes à idade.

– Segundo o artigo “Physical activity and cognition in women with vascular conditions” publicado no “Journal Watch Neurology”, onde participaram 2809 mulheres idosas com doença vascular ou com pelo menos 3 fatores de risco coronário, o equivalente a 30 minutos diários de caminhada a passo acelerado retarda o declínio da função cognitiva.

Conclusão:

A actividade física é um fator modificável, de fácil acesso, barato e sem efeitos laterais que atrasa o declínio cognitivo, diminuindo não só a incidência da DA mas também retardando a demência vascular.

Num mundo progressivamente envelhecido e sedentário, e no contexto do sucesso limitado da medicação disponível para DA:  vamos “prescrever” atividade física, pelos nossos doentes!

Artigos originais:

https://www.mgfamiliar.net/wp-content/uploads/znl01712001290.pdf

http://www.neurology.org/content/78/17/e110.full.pdf+html

http://archinte.ama-assn.org/cgi/content/full/171/14/1244?linkType=FULL&resid=171/14/1244&journalCode=archinte

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