Bifosfonatos para a osteoporose – por quanto tempo?

Por Marta Guedes

Todos os bifosfonatos que foram aprovados para o tratamento da osteoporose, têm mostrado eficácia na prevenção de fraturas, durante 3 a 4 anos. Contudo, têm surgido dúvidas sobre a duração ótima desse tratamento para conseguir e manter a proteção contra fraturas.

A preocupação com a segurança deste tratamento a longo-prazo também tem sido evocada. Têm sido descritos efeitos adversos graves associados à terapia com bifosfonatos, como fraturas atípicas do colo fémur, osteonecrose da mandíbula e cancro esofágico.

Neste contexto, a FDA elaborou uma revisão sistemática da eficácia dos bifosfonatos a longo prazo. Este artigo focou-se na análise de dados obtidos da extensão de três ensaios clínicos para além dos prazos e resultados previamente publicados. Com a referida extensão, a duração do tratamento variou entre 6 a 10 anos.

Na opinião da FDA, o endpoint mais significativo, na terapia para a osteoporose, é a taxa de fraturas.

Quando se agrupam todos dados sobre doentes com fraturas osteoporóticas vertebrais e não vertebrais sob tratamento a longo prazo dos três ensaios (2496 doentes), as taxas de fratura são relativamente constantes ao longo do tempo. Com tratamento contínuo com bifosfonatos durante pelo menos 6 anos as taxas de fratura variaram entre 9,3-10,6%, enquanto que no grupo de pacientes em que após 3-5 anos houve suspensão do bifosfonato e mudança para placebo foram de 8,0-8,8%. O benefício do prolongamento do tratamento foi mínimo.

Os dados disponíveis não identificam claramente quais os subgrupos de doentes que mais provavelmente beneficiariam de tratamento para além dos 3-5 anos.

Os dados disponíveis sugerem que os bifosfonatos podem ser descontinuados com segurança em alguns doentes ao fim de 3-5 anos, sem comprometerem os ganhos terapêuticos. Mas, ainda não há dados adequados de ensaios clínicos que informem sobre quanto tempo os benefícios dos fármacos se mantêm após a sua cessação.

Para otimizar a eficácia dos bifosfonatos na redução do risco de fraturas, as decisões de continuar o tratamento devem ser baseadas na avaliação individual de riscos e benefícios e na preferência do doente.

Assim sendo:

– doentes com baixo risco de fratura (i.e. doentes mais jovens, sem história de fratura e com uma densidade mineral óssea que se aproxima do normal) poderão revelar-se bons candidatos à descontinuação de tratamento com bifosfonatos depois de 3-5 anos.

-doentes com risco aumentado de fratura (i.e. doentes mais idosos, com história de fratura e uma densidade mineral óssea dentro do intervalo osteoporótico), poderão beneficiar de continuação de tratamento com bifosfonatos.

Dado o potencial de risco cumulativo, deve haver precaução na troca entre bifosfonatos e outros medicamentos anti-reabsortivos potentes.

Investigação futura dos benefícios e riscos do tratamento a longo-prazo, bem como a vigilância do risco de fratura após descontinuação do mesmo, serão cruciais para determinar o melhor regime terapêutico individualizado para doentes com osteoporose.

 

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