A Eplerenona desempenha algum papel no tratamento da Insuficiência Cardíaca Classe II?

Por Diana Carneiro, IFE MGF, USF Horizonte

O estudo EMPHASIS-HF foi publicado no The New England Journal of Medicine, em Janeiro de 2011, e avaliou o efeito da adição de eplerenona no tratamento padrão da insuficiência cardíaca (IC) sistólica em doentes com sintomas moderados (classe II da New YorK Heart Association – NYHA).

Os autores realizaram um estudo (entre Março 2006 e Maio de 2010) duplamente cego, aleatorizado e controlado por placebo, que teve como objectivo comparar o efeito da eplerenona (até 50 mg/dia, n=1364) comparativamente ao placebo (n=1373), em doentes com ≥ 50 anos, IC classe II, fracção de ejecção do ventrículo esquerdo -FEVE ≤ 30% e QRS>130 ms. Os doentes com enfarte agudo do miocárdio – EAM, IC classe III ou IV e hipercaliemia >5 mmol/L foram excluídos do estudo.  

outcome primário (morte por causa cardiovascular – CV ou primeiro internamento por IC) ocorreu em 18.3% dos doentes incluídos no grupo eplerenona e em 25.9% dos doentes do grupo placebo (Odds ratio – OR= 0.63, intervalo de confiança – IC= 0.54-0.74, p<0.001, número necessário para tratar – NNT = 13 em 21 meses).

A eplerenona também reduziu significativamente as causas de morte por motivos CV e os internamentos por IC ou outra causa CV. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos relativamente aos efeitos adversos, contudo houve um aumento significativo de hipercaliemia no grupo com eplerenona (8.0% vs 3.7%, p<0.001)

Apesar da eplerenona, adicionada à terapia recomendada, ter reduzido significativamente o risco de morte e de internamento comparativamente ao placebo, existem limitações importantes neste estudo que colocam em causa a administração da eplerenona a todos os doentes com IC classe II. Primeiro, os doentes seleccionados tinham factores de risco CV adicionais (EAM prévio, internamento prévio por IC, hipertensão arterial, angina, bloqueio de ramo esquerdo). Além disso, os sintomas podem flutuar e a gravidade dos sintomas nem sempre reflecte a gravidade do problema cardíaco subjacente – doentes com doença cardíaca grave podem ter sintomas moderados e vice-versa. 

Este estudo demonstrou que adicionando eplerenona ao tratamento de 1ª linha recomendado para a IC com disfunção sistólica do ventrículo esquerdo – DSVE, ocorre uma redução na taxa de mortalidade devido a causas CV e uma redução nos internamentos por IC. Contudo, este facto foi demonstrado num grupo específico de doentes (com factores de risco CV adicionais e internamentos recentes por causas CV) e assim os resultados não podem ser aplicados a todos os doentes com IC classe II. Além disso, não havendo comparação entre a eplerenona e outro antagonista da aldosterona (espironolactona), não sabemos se com a espironolactona podíamos ter os mesmos resultados a custos mais baixos.

Assim, devemos continuar a prescrever inibidores da enzima de conversão da angiotensina – IECA´s ou beta- bloqueantes – BB para a IC com DSVE como 1ª linha. Os antagonistas da aldosterona (espironolactona, eplerenona) podem ser considerados como uma opção de 2ª linha, com indicação para os doentes cujos sintomas persistem apesar da optimização do tratamento de 1ª linha.  

Artigo original: http://www.npc.nhs.uk/rapidreview/?p=2359

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