Anticoagulantes orais: junior vs veterano

 Por Mariana Rio, USF São João Porto

 

Pergunta clínica: os novos anticoagulantes orais serão mais eficazes que a varfarina ou placebo no tratamento do tromboembolismo venoso?

Desenho do estudo: foram realizados 3 ensaios clínicos aleatorizados duplamente cegos, num dos quais foi comparada a utilização do dabigatrano com a varfarina (150mg, bid) em doentes com tromboembolismo venoso (TEV), noutro foi comparado com um placebo, no mesmo tipo de doentes, e noutro foi comparado o apixabano (2,5mg ou 5mg bid) com o placebo. Este último foi realizado durante 12 meses, em doentes com TEV que tivessem completado 6 a 12 meses de anticoagulação e que suscitassem dúvida na continuação ou não da terapêutica. Estes artigos foram publicados em fevereiro de 2013 no New England Journal of Medicine.

Resultados: comparativamente à varfarina, a utilização de dabigatrano estava associada a um ligeiro aumento do risco de TEV (hazard ratio = 1,44; intervalo de confiança de 0,78 a 2,64) e menos episódios hemorrágicos (hazard ratio = 0,52; intervalo de confiança de 0,27 a 1,02). Ocorreram mais episódios de síndrome coronário agudo com a administração de dabigatrano mas sem significado estatístico (P=0,02). Ao comparar com o placebo, o dabigatrano foi um fator protetor para a ocorrência de TEV, no entanto, este estava associado a um risco hemorrágico cerca de 3 vezes superior ao placebo (hazard ratio = 2,92).

Com o apixabano, ocorreram menos mortes e menos episódios de TEV recorrente, menor número de episódios de hemorragia major, mas maior número de hemorragias minor, relativamente ao placebo. Foi estimado um number needed to treat (NNT) de 14 para prevenir um episódio de recorrência de TEV e um NNH de 200 para ocorrer um evento hemorrágico major ou minor clinicamente relevante.

Comentário: os novos anticoagulantes orais estão a difundir-se pela comunidade médica. A indústria farmacêutica têm apostado na sua divulgação e insistido na sua aplicação (fato comprovado pelo financiamento dos estudos aqui apresentados). O estudo efetuado com o apixabano peca por não o comparar com a terapêutica mais frequentemente utilizada, a varfarina. Embora o dabigatrano tenha resultados semelhantes à varfarina, para já ainda tem um custo muito superior para o doente, fator importantíssimo para a adesão e sucesso terapêutico. O apixabano ainda não é comercializado em Portugal.

Artigo original 1

Artigo original 2

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Fill out this field
Fill out this field
Please enter a valid email address.
You need to agree with the terms to proceed

Prescrição Racional
Menu