Adultos com trauma do pulso sem deformidade, edema ou dor com a pronação, não têm fratura

 

 

Pergunta clínica: Poderá uma simples avaliação clínica descartar fraturas em adultos com trauma do pulso?

Um modelo que consiga excluir fraturas do pulso poderá comtemplar a avaliação de sinais e sintomas que permitam determinar a probabilidade de ocorrência de uma fratura e assim identificar pacientes com trauma do pulso que beneficiem de exames adicionais ou apenas medidas sintomáticas.

Desenho do estudo: Este estudo foi conduzido para validar externamente (estudo de validação) o modelo Deformidade, Edema e Dor com a Pronação, pensado para avaliar a necessidade de radiografia em adultos com trauma do pulso. Foram incluídos 391 adultos que recorreram a um serviço de urgência com lesão aguda do pulso, mas sem fratura óbvia (por exemplo, sem fratura exposta). Os médicos, treinados para examinar os pulsos usando o modelo, avaliaram cada participante e determinaram a necessidade de realização de radiografia. Todos os pacientes fizeram radiografias revistas por um ortopedista sem acesso à informação clínica. Quando se suspeitava de fratura, mas a radiografia não mostrava nenhuma, foi solicitada tomografia computadorizada.

Resultados: Dos 391 adultos, 170 (43,5%) apresentaram fraturas, sendo as mais comuns fraturas do rádio distal (35%). Muitos dos pacientes (44%) foram encaminhados ao ortopedista, 85% dos quais realizaram exames de imagem, e 88% desses tinham fraturas. A precisão geral do modelo foi de 0,878 (p < 0,001), com 98,7% de sensibilidade e 27,6% de especificidade. Estes números resultam num positive likelihood ratio de 1,4 e num negative likelihood ratio de 0,04. De facto, os autores estimam que a ausência de edema, deformidade e dor com a pronação reduziria a taxa de exames de imagem em 16%.

Comentário: O modelo Deformidade, Edema e Dor com a Pronação parece ser uma ferramenta de decisão clínica confiável e prática para determinar a necessidade de radiografia em casos de trauma do pulso, sendo sensível o suficiente para descartar fraturas. Com efeito, num contexto de serviço de urgência, uma avaliação focada em indicadores clínicos diretos, permitirá aos profissionais de saúde triar e gerir os potenciais casos de fratura de forma eficiente, contribuindo para intervenções precoces e melhores resultados para os pacientes.

Artigo original: Am J Emerg Med

Por Jorge Talhada de Moura, USF Porto Centro

 

 

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