
Pergunta Clínica: A actividade física durante a gravidez previne a hipertensão arterial e a macrossomia?
Enquadramento: A actividade física face aos seus potenciais ganhos em saúde, tem vindo a ganhar um lugar privilegiado no plano terapêutico de várias patologias e na prevenção das mesmas. No que diz respeito à mulher grávida a evidência tem revelado benefícios da prática de exercício físico durante a gravidez.
Desenho do estudo: Ensaio clínico randomizado controlado realizado em Espanha. Foram incluídas 1100 grávidas com 31 anos (média de idade), caucasianas, com feto único e com gravidez de baixo risco. Após aplicação dos critérios de exclusão durante o estudo estiveram envolvidas 765 mulheres no total. As características das participantes de ambos os grupos eram similares e foram divididas em dois grupos: o grupo de intervenção em que realizaram sessões de treino (aeróbio, força muscular e flexibilidade) de cerca de 50-55 minutos, 3 vezes por semana e o grupo controlo. O objetivo primário foi a incidência de hipertensão durante a gestação. O objetivo secundário foi avaliar o ganho de peso da gestante no final da gravidez e o peso à nascença do bebé
Resultados: Após análise estatística com controlo das variáveis idade materna, paridade, tabagismo, profissão, atividade e IMC pré gestação, concluiu-se que grávidas que não fazem exercício físico têm probabilidade três vezes maior de desenvolver hipertensão (OR, 2.96; IC 95%, 1.29 – 6.81, p = 0,01). Relativamente aos objetivos secundários, o ganho de peso na grávida foi 1,5 vezes superior no grupo controlo (OR, 1.47; IC 95%, 1.06 – 2.03,p = 0.02). O desenvolvimento de diabetes gestacional foi duas vezes superior no grupo controlo, no entanto, este valor não foi estatisticamente significativo (OR, 2.05; IC 95%I, 0.91 – 4.6, p= 0.08). Relativamente ao peso à nascença, as grávidas que não realizaram exercício físico programado pelos investigadores tiveram probabilidade 2,5 vezes superior de ter um bebé macrossómico (OR, 2.53; CI 95%, 1.03 – 6.20, p= 0.04) e 1,6 vezes de um bebé com baixo peso à nascença, não sendo este valor estatisticamente significativo (OR, 1.6; CI 95%, 0.83 – 3.09, p= 0, 15). A incidência de parto pré-termo foi semelhante em ambos os grupos, assim como o APGAR à nascença e o comprimento do bebé.
Comentário: Apesar da importância da actividade física, são escassos os programas de exercício físico para grávidas disponibilizados pelas instituições de saúde. Com os recursos adequados – agendamento próprio, espaço físico adequado e profissionais com formação – as equipas multiprofissionais motivadas das UCSP e USF poderão aumentar a oferta aos cidadãos.
Artigo original: Am J Obstet Gynecol
Por Marta Guedes, USF Entre Margens
