
Outras leituras: Trilogia “Os Caminhos da Liberdade” por Jean-Paul Sartre, Bertrand Editora, 1996
Um dos livros mais importantes na minha formação foi atrilogia “Os Caminhos da Liberdade” do Sartre, que li quando tinha 18anos. Um romance em três volumes onde, através das personagens, elaspróprias existencialistas, se demonstrava na prática o existencialismo.
Existencialismo que tinha como base a liberdade de cada umde optar da forma que quisesse, livrando-se dos condicionalismosexternos e internos.
Foi um deslumbramento a descoberta da liberdade intelectual.Os mecanismos do pensamento existencialista são altamente contagiantes einebriantes.
Mas… Esmiuçar todas as hipóteses de escolha e assumir que sódepende de nós escolher permite-nos ser livres para escolher. Só queperdemos a noção da importância da escolha. E sobretudo deixamos de terum sentido para a escolha.
Podemos analisar microscopicamente uma célula e analisá-la até ao átomo ou ainda em partículas mais pequenas.
Só que perdemos a sua importância porque uma célula só serealiza em conjunção com outras células constituindo um tecido queconstitui um órgão que é parte integrante de um corpo onde desempenhauma função insubstituível.
Compreendi aos 18 anos, e assim resolvi definitivamente aminha crise existencialista, que o caminho não era por aí, que por aí sófica o vazio, que o Homem se realiza na acção. Liberdade de escolha éum elemento táctico importantíssimo, é um instrumento fundamental, masnão é um fim. E qual o sentido para a acção?
Esse é-me dado por outro livro fundamental na minhaexistência, a bíblia e sobretudo o novo testamento. Ter o amor pelosoutros como referência.
Rentabilizar os talentos que possuo ao serviço dos outros ede uma melhor sociedade. Com estas coordenadas responder aquilo que umavozinha de origem misteriosa me diz que deve ser feito da mesma formaque uma célula cumpre a sua função.
Curiosamente, a personagem principal do livro depois depassar o tempo todo a evitar fazer opções, no fim, quando encurralado natorre de uma igreja pelos alemães, assumiu-se finalmente : “matar omaior número possível de alemães até que estes o liquidassem”.
