Atividade sexual e doença cardiovascular

Por Lígia Torres Lima, USF São João de Sobrado

A atividade sexual é um componente importante da qualidade de vida do indivíduo com doença cardiovascular (DCV) e do seu parceiro. Neste sentido, a American Heart Association desenvolveu um documento, baseado na revisão de vários estudos eguidelines, com o objectivo de sintetizar os dados relativos a atividade sexual e DCV, providenciando recomendações que facilitem o aconselhamento por parte dos profissionais de saúde.

Quais as principais conclusões?

  O sexo é a causa de eventos cardíacos agudos em menos de 1% dos casos.

  Estudos sugerem que apenas 0,6 a 1,7% das mortes súbitas estão associadas a atividade sexual. A maioria destes casos envolveu sexo extramatrimonial, muitas vezes com um parceiro mais jovem, em locais não familiares, assim como consumo excessivo de alimentos e/ou bebidas alcoólicas, (provavelmente, por maior ansiedade ou maior libertação de adrenalina).

   A dor torácica associada a atividade sexual (angina coital) também é pouco comum (menos de 5% dos casos de angina).

    A atividade sexual é segura para a maioria dos doentes com DCV estável [doença coronária, após enfarte agudo do miocárdio (EAM), insuficiência cardíaca (IC), arritmias/pacemakers, doença valvular, doença cardíaca congénita, cardiomiopatia hipertrófica].

    Os doentes com doença cardíaca descompensada, instável e/ou gravemente sintomática com actividade física mínima ou em repouso devem diferir a atividade sexual até se encontrarem estabilizados.

    Os fármacos prescritos para a DCV, que melhoram os sintomas e aumentam a sobrevida, nunca deverão ser suspensos por preocupações com o seu potencial impacto na função sexual.

    É seguro utilizar fármacos para tratamento da disfunção eréctil em homens com doença cardíaca estável, excepto se estiverem medicados com nitratos (contra-indicação absoluta). Estes não deverão ser administrados nas 24 a 48h seguintes à toma de inibidores da 5-fosfodiesterase.

    Os doentes devem ser acautelados relativamente ao uso de produtos de ervanária para o tratamento da disfunção eréctil, dados os potenciais efeitos adversos causados por ingredientes desconhecidos.

    É de ponderar a avaliação dos doentes com doença cardíaca diagnosticada de novo, através da história clínica e exame físico, antes de retomar a sua atividade sexual.

    A reabilitação cardíaca e exercício físico regular, poderão reduzir o risco de complicações associadas à atividade sexual em doentes com história de EAM ou IC.

     As mulheres em idade pré-menopáusica deverão ser avaliadas e aconselhadas relativamente ao melhor método anticoncepcional e à gravidez.

     É seguro retomar a atividade sexual:

– 1 ou mais semanas após EAM, excepto se houver complicações;

– alguns dias após angioplastia não complicada;

– 6 a 8 semanas após bypass coronário ou outras cirurgias de coração aberto.

Na presença de DCV, a atividade sexual está, frequentemente, reduzida devido à presença de ansiedade e/ou depressão e não devido à medicação. Também são importantes os receios do parceiro. A abordagem deste tema é adequada para homens e mulheres de todas as idades e os profissionais de saúde deverão estar aptos a discutir e esclarecer as principais preocupações sexuais do doente e seu parceiro.

Artigo original: http://circ.ahajournals.org/content/early/2012/01/19/CIR.0b013e3182447787.full.pdf+html

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