Por Diana Carneiro, USF Horizonte
Uma meta-análise (MA) sobre a auto-monitorização da hipocoagulação oral foi publicada na revista Lancet em Dezembro de 2011, tendo como objetivo clarificar o valor da mesma.
Nesta MA foram incluídos 11 estudos (com um total de 6417 participantes) que compararam os efeitos da auto-monitorização da hipocoagulação oral com o controlo efetuado por profissionais de saúde. Os resultados avaliados foram os seguintes: tempo decorrido até à morte, primeiro episódio de hemorragia major e primeiro evento tromboembólico.
Os autores desta MA reportaram uma redução significativa nos eventos tromboembólicos no grupo da auto-monitorização (odds ratio=OR= 0,51, intervalo de confiança= IC=95%, 0,31-0,85). Não se verificou uma redução significativa nos eventos hemorrágicos (OR= 0,88, IC=95%, 0,74-1,06) nem no tempo decorrido até à morte (OR=0,82, IC=95%, 0,62-1,09).
Os participantes com idade inferior a 50 anos evidenciaram uma redução significativa nos eventos tromboembólicos (OR=0,33, IC=95%, 0,17-0,66), assim como os participantes com válvula cardíaca mecânica (OR=0,52, IC=95%, 0,35-0,77).
Esta MA evidencia que a auto-monitorização da hipocoagulação é uma opção segura para os doentes de todas as idades. Contudo esta revisão apresenta algumas limitações: grupo de participantes com idades heterogéneas nos diferentes estudos, número superior de participantes do sexo masculino, estudos realizados em países diferentes, duração dos estudos muito variável.
Em tempo de crise… vale apena refletir.
Será que estamos preparados para capacitar mais um grupo de doentes crónicos?
Será que os doentes estão prontos para se responsabilizarem pela sua doença?
Será que o Sistema Nacional de Saúde está preparado para esta nova realidade?
Artigo original: http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(06)68139-7/abstract
