Bloqueadores dos receptores da angiotensina II

Por Mariana Morais (CS de Espinho), Helena Beça (USF Espinho), Mariana Tudela (USF Horizonte)

No mês de Junho de 2008, o MeRec Monthly (publicação do National Prescribing Centre) publicou um artigo sobre o uso dos antagonistas dos receptores da angiotensina II (ARAs) e o estudo ONTARGET. Apresento um resumo das principais conclusões deste boletim de Junho de 2008 com o título: “Commonly used treatment options provide limited benefit but cost a lot of money”

A droga de primeira linha do sistema renina – angiotensina para os doentes com elevado risco cardiovascular, com ou sem insuficiência cardíaca, é um inibidor da enzima de conversão da angiotensina (IECA). Os ARAS são considerados uma alternativa nos doentes que não toleram os IECA devido à tosse. É importante não esquecer que a tosse pode ocorrer também com os ARAs. São necessários 56 meses de tratamento com ARAs em 32 doentes para prevenir uma interrupção do tratamento com IECAs devido à tosse.

No Reino Unido, em 2007/08, apesar dos ARAs terem representado apenas 28% do total das drogas do sistema renina – angiotensina (ARAs e IECAs) prescritos nos cuidados primários, constituíram 62% do total de custos com esta medicação. Devido ao seu maior custo, os ARAs devem geralmente ser utilizados apenas nos doentes que não conseguem tolerar um IECA.

De acordo com o estudo ONTARGET parece também existir pouco benefício em adicionar um ARA a um IECA em doentes com elevado risco cardiovascular e que não têm insuficiência cardíaca. Na realidade, o estudo demonstrou que a combinação de um ARA com um IECA, não previne os eventos cardiovasculares e, por outro lado, aumenta o risco de efeitos adversos suficientemente graves para provocar a interrupção do tratamento (por exemplo, devido a episódios hipotensivos, diarreia e diminuição da função renal). O estudo considerou doentes com elevado risco cardiovascular quando idade ≥ 55 anos e doença coronária, doença arterial periférica ou doença cerebrovascular ou doentes com diabetes e lesão de órgão – alvo.

A combinação de um ARA com um IECA pode ser uma opção em doentes com insuficiência cardíaca crónica e que se mantêm sintomáticos apesar de terapia optimizada com IECA+bloqueador dos receptores beta+diuréticos (de acordo com o MeReC Bulletinde insuficiência cardíaca crónica).

Artigo originalNPC. Angiotensin II receptor blockers. MeReC Monthly No.3 June 2008

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