Por Mariana Rio, USF São João Porto
Pergunta clínica: os antivíricos tópicos/orais antecipam a cura do Herpes Labial Recorrente (HLR)?
Desenho do estudo: Revisão baseada na evidência (RBE), realizada pelos colaboradores do Alberta College of Family Physicians.
Resultados: foram encontrados cinco ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC): três sobre antivíricos orais e dois relativos a antivíricos tópicos. Em todos os estudos, a toma/aplicação tópica do antivírico era iniciada até 1 hora após início dos sintomas, por indivíduos imunocompetentes, com três ou mais episódios de herpes labial por ano. O aciclovir (400 mg, 5 vezes por dia, 5 dias) não demonstrou uma melhoria significativa dos sintomas. Com a toma de valaciclovir (2 g, 12/12h, 1 dia ou durante 2 dias e depois 1 g 12/12h) ocorreu uma antecipação da cura entre meio a um dia e o famciclovir (1500 mg, dose única, ou 750 mg, 12/12h, 1 dia) antecipou a cura em dois a dois dias e meio (2,5) .A aplicação tópica de aciclovir (creme a 5%, 5 vezes por dia, 4 dias) antecipou a cura em meio dia e o docosanol 10% (5 vezes por dia, iniciado nas primeiras 12 horas de sintomas até à cura) teve um resultado ligeiramente superior (0,75 dias).
Conclusão: O famciclovir (em toma única ou em duas tomas per os) pode antecipar a cura em dois dias, enquanto o valaciclovir oral e a administração tópica de aciclovir ou de doconasol antecipa a cura em meio a um dia.
Comentário: O HLR pode condicionar as actividades do doente, provocando, nomeadamente, evidente constrangimento estético. Cerca de 35% dos indivíduos têm quatro ou mais episódios por ano. Sendo assim, o tempo estimado de actuação, deve ser considerado no momento da prescrição. Segundo os autores desta RBE o tratamento com famciclovir oral é o mais eficaz, medicamento que não consta do Prontuário Terapêutico português (assim como o docosanol). É de salientar que o aciclovir creme, com nome comercial francamente publicitado em Portugal, apenas antecipou a cura em meio dia (0,5). Tendo em conta que grande parte dos estudos citados foram apoiados pela indústria farmacêutica, e que não existe nenhum artigo publicado que compare os diferentes antivíricos disponíveis, seria pertinente a realização de investigação, no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários, no sentido de reforçar a evidência no tratamento do HLR.
