Cigarros electrónicos: o que sabemos?

 

 

Pergunta clínica: Qual o impacto dos cigarros electrónicos na saúde dos seus utilizadores?

Enquadramento: Atualmente dispomos de pouca informação sobre os cigarros electrónicos, nomeadamente qual o impacto que estes podem ter na saúde dos seus utilizadores. Muitos utentes usam este produto como substituto do cigarro convencional, convencidos que terão menos efeitos nocivos e menor prejuízo ao nível da sua saúde. O governo português aprovou recentemente restrições ao seu uso.

Desenho do estudo: Revisão sistemática de estudos que avaliaram as consequências para a saúde dos cigarros electrónicos. Foram incluídos os artigos publicados nas bases de dados da PubMed, EMBASE e CINAHL até 14/08/2014. Foram seleccionados 76 trabalhos: 34 relativos à investigação dos componentes químicos do vapor produzido pelos cigarros electrónicos, 21 relativos à ocorrência de efeitos adversos nos utilizadores de cigarros electrónicos e 1 estudo em modelo animal.

Resultados: Os cigarros electrónicos possuem  partículas finas/ultrafinas, metais nocivos, nitrosaminas carcinogénicas especificas do tabaco, compostos orgânicos voláteis, bem como compostos que não são encontrados em cigarros convencionais, tais como o propilenoglicol e glicerina. Os voluntários expostos a estas substâncias durante 1 minuto desenvolveram uma discreta obstrução da via aérea, ao passo que exposições prolongadas exacerbaram e/ou induziram múltiplos sintomas alérgicos em crianças. Os principais efeitos secundários foram a irritação ligeira da boca, garganta e dos pulmões. Nos voluntários não fumadores os principais efeitos relatados foram a irritação da garganta, a cefaleia ligeira, as tonturas e a tosse.

Limitações: Manifestas diferenças metodológicas entre os artigos. Taxa elevada de conflito de interesses dos autores (34%). Ausência de informação acerca das concentrações dos solventes e dos aditivos dos cigarros electrónicos. Erros de rotulagem e omissão de outros químicos contidos nos cigarros electrónicos. Nenhum dos estudos teve um período de acompanhamento prolongado.

Conclusão: Tendo em contas as limitações não é possível concluir acerca da segurança dos cigarros electrónicos. De salientar que tal não significa que os cigarros electrónicos sejam inofensivos.

Comentário: Apesar de não haver estudos suficientes sobre o real impacto dos cigarros electrónicos, parece sensato sinalizar, junto dos utentes e comunidade, que os cigarros electrónicos são potencialmente nocivos para a saúde.

Artigo original:Preventive Medicine

Por Hugo Paiva, UCSP Mira  

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