Por Diana Carneiro, IFE MGF1, USF Horizonte
A revisão sistemática e meta-análise de estudos observacionais intitulada: “ Comparative cardiovascular effects of thiazolidinediones” foi publicada no British Medical Journal em Março de 2011.
Previamente a esta revisão já era conhecido o aumento do risco de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) associado tanto à rosiglitazona como à pioglitazona. O risco de eventos cardiovasculares isquémicos parece ter sido associado principalmente à rosiglitazona. Contudo, a comparação entre os diferentes efeitos cardiovasculares provocados pelas tiazolidinedionas ainda não está totalmente esclarecida.
Os autores pretenderam com esta revisão comparar os efeitos das tiazolidinedionas (rosiglitazona e pioglitazona) na ocorrência de Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM), de ICC e na taxa de mortalidade em doentes com Diabetes Mellitus tipo 2. Após uma pesquisa realizada na Medline e na Embase em Setembro de 2010, os autores encontraram 16 artigos que satisfaziam os critérios definidos (12 estudos retrospectivos e 4 estudos de caso-controlo).
Os resultados obtidos foram os seguintes: O uso de rosiglitazona foi associado a uma probabilidade significativamente maior de ocorrência de EAM (Odds ratio – OR=1.16, Intervalo de confiança – IC= 1.07-1.24, p<0.001), de ICC (OR=1.22, IC=1.14-1.31, p<0.001) e de morte (OR=1.14, IC=1.09-1.20, p<0.001).
Os mecanismos biológicos responsáveis por esta diferença encontrada no risco cardiovascular e na mortalidade ainda são incertos. Contudo, diferenças significativas foram encontradas na influência das tiazolidinedionas no metabolismo lipídico. A rosiglitazona causa uma maior elevação nos níveis de triglicerídeos e de lipoproteínas de baixa densidade (LDL-c) do que a pioglitazona. Além disso, o maior efeito agonista sobre os receptores renais PPARу da rosiglitazona, leva a uma maior retenção de líquidos, podendo assim explicar o maior risco de ICC.
Estes achados têm implicação na prática clínica de todos nós, no que concerne ao tratamento dos diabéticos tipo 2. A continuação da administração de rosiglitazona neste grupo de doentes, pode levar a um maior número de eventos cardiovasculares e consequentemente ao aumento da taxa de mortalidade. Apesar de já conhecermos alguns efeitos adversos associados às tiazolidinedionas (maior risco de fractura em mulheres), mais estudos são necessários para investigar outros efeitos secundários possíveis. Enquanto estes estudos não surgem, é necessário ter em atenção aos riscos/benefícios das tiazolidinedionas em diabéticos tipo 2.
Artigo original: https://www.mgfamiliar.net/wp-content/uploads/bmj.d1309.full_.pdf
