Por Ricardo Rocha, UCSP Moimenta da Beira
Pergunta clínica: A amoxicilina com ácido clavulânico melhora os resultados em pacientes com exacerbações doença pulmonar obstrutiva crônica nas formas leve a moderada?
Desenho do estudo: Os investigadores deste estudo randomizado (com dupla ocultação) escolheram aleatoriamente doentes com DPOC leve a moderada com exacerbações (pelo menos um dos seguintes: dispneia aumentada, aumento no volume de expetoração ou secreção purulenta) para receber ou amoxicilina+ácido clavulânico (500/125 mg três vezes ao dia) ou placebo. Os médicos que prescreviam o tratamento poderiam receitar corticóides, além do antibiótico (o que aconteceu em aproximadamente 17% em cada grupo). Os pacientes foram avaliados 9 dias a 11 dias após o tratamento realizado pelo médico assistente. Os autores utilizaram a “intenção-de-tratar” para avaliar os resultados. Aproximadamente 75% dos pacientes tratados com antibiótico foram “curados”, em comparação com 60% daqueles tratados com placebo (número necessário para tratamento = 8; IC de 95%, 5 – 27). Além disso, os pacientes que tomaram antibióticos tiveram um tempo mais longo para a exacerbação seguinte comparados com os doentes que receberam placebo (233 vs 160 dias). Dois pacientes pararam de tomar os antibióticos por causa de problemas gastrointestinais.
Comentário: A atualização de 2010 para as diretrizes da “Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease” (GOLD) sobre o tratamento de pacientes com DPOC limita o papel dos antibióticos em doentes com exacerbações de etiologia infecciosa. Existe uma forte recomendação que os pacientes devem apresentar secreção purulenta além de dispneia aumentada ou volume do esputo antes de receber antibióticos. No entanto, os dados sobre o papel dos antibióticos em pacientes com doença suave, ou seja, leve a moderada, são bastante limitados.
Este estudo demonstra que doentes com exacerbações de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) leve a moderada têm uma maior taxa de cura quando administrada amoxicilina com ácido clavulânico, em comparação com o placebo. (LOE = 2b)
Talvez no futuro próximo esta guideline possa ser revista em virtude destes novos dados, embora mais estudos sejam necessários para reforçar esta hipótese.
