Haemophilus influenzae na gravidez

 

Pergunta clínica: qual a epidemiologia da doença invasiva por Haemophilus influenzae e quais as consequências na gravidez?

Enquadramento: O Haemophilus influenzae não encapsulado está frequentemente associado a infeções não invasivas do trato respiratório superior em crianças. Mas também pode ser causa de doença invasiva, especialmente em adultos. Estudos anteriores relatam uma maior incidência deste microorganismo em recém-nascidos, sugerindo uma maior susceptibilidade por parte das mulheres grávidas para a infecção por estirpes invasivas não encapsuladas.

Desenho do estudo: Este estudo pretendeu descrever a epidemiologia, as características clínicas e os efeitos da infeção por estirpes invasivas de Haemophilus influenzae nas mulheres em idade reprodutiva. Foi levado a cabo em Inglaterra e País de Gales, entre 2009 e 2012, com a colaboração dos médicos de família através do preenchimento de um questionário. Foram avaliadas mulheres em idade fértil (15-44 anos) com infeção por estirpes de invasivas de H.influenzae confirmada por cultura positiva de amostra habitualmente estéril. 

Resultados: No total 171 mulheres apresentavam infeção por estirpes invasivas de H. influenzae (144 com estirpes não encapsuladas, 11 com serotipo b e 16 com outros serotipos encapsulados). 75 dessas 171 mulheres estavam grávidas. A incidência global de infeção por estirpes invasivas não encapsuladas foi baixa (0,5 por 100 000 mulheres), sendo 17 vezes maior em mulheres grávidas em comparação com as não grávidas. Das mulheres infetadas, 58% apresentavam bacteriémia e 29% pneumonia. Sendo a percentagem com bacteriémia mais elevada no grupo das mulheres grávidas (90% versus 30% em não grávidas).

O estudo descreve ainda que a infeção até às 24 semanas está associada a perda fetal (44/47) e parto prematuro (3). Após as 24 semanas a nado-morto (2/28), a parto prematuro (8/26) e stress respiratório neonatal (21/26).

Comentário: A vacina disponível no PNV contra o H. influenzae tipo b, não confere imunidade contra a infeção por estirpes não encapsuladas. É de suspeitar destes agentes em caso de infeção respiratória ou ORL. Este patogéneo deve ser identificado precocemente e tratado de forma expedita nas grávidas. Confirmando-se esta suscetibilidade para infeção por estirpes invasivas e esta alta taxa de efeitos adversos na gravidez será uma infeção a ter em particular consideração na avaliação clínica de grávidas.

Artigo original

Por Sandra Amaral, USF São Julião 

 

 

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