Infecção do tracto urinário não complicada: não pedir urocultura por rotina

Por Lígia Torres Lima, USF São João do Sobrado

No ensaio randomizado controlado Effectiveness of five different approaches in management of urinary tract infection, publicado no British Medical Journal, em Fevereiro de 2010, verificou-se não existir vantagem na obtenção rotineira de exame bacteriológico de urina, para orientação do tratamento de infecções do tracto urinário (ITU) não complicadas em mulheres adultas, não grávidas.

Quer uma estratégia de “antibioterapia adiada” (sendo prescrita apenas ao fim de 48h, se não houver melhoria sintomática) quer o uso de tiras de teste para direccionar o tratamento, com “prescrição adiada” de reserva, foram eficazes no controlo dos sintomas, comparando com a terapia empírica imediata, permitindo a redução da utilização de antibióticos. 

De acordo com a Health Protection Agency (HPA), a urocultura de rotina é desnecessária nas cistites não complicadas. Quando a infecção urinária é muito provável (ausência de corrimento ou irritação vaginal com a presença de três ou mais sintomas, como disúria, polaquiúria, poliúria, urgência, desconforto supra-púbico ou hematúria), será razoável recorrer ao tratamento empírico imediato ou adiado (de acordo com a preferência do doente). Nestes casos, a HPA recomenda trimetoprim ou nitrofurantoína, durante 3 dias, excepto se contra-indicado.

Se o diagnóstico for duvidoso, pode recorrer-se a tiras de teste para direccionar o tratamento e adoptar uma estratégia de “prescrição adiada” de reserva.

As mulheres devem ser esclarecidas e tranquilizadas, especialmente quando se opta por protelar o tratamento.

A pielonefrite, ITU em homens, idosos, crianças ou grávidas e as ITU recorrentes, requerem uma abordagem diferente.

 

Artigo original: http://www.npci.org.uk/blog/?p=1118

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