Inibidores seletivos da recaptação da serotonina na gravidez

Por Mariana Rio, USF São João Porto


Pergunta clínica: Qual o risco de mortalidade neonatal ou nado-morto associado à utilização de inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) na gravidez?

Desenho do estudo: estudo de coorte populacional (Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia), publicado no Journal of the American Medical Association a 2 de Janeiro de 2013. Foram estudadas mulheres que tiveram gravidezes com feto único. Os dados foram obtidos através da consulta dos registos clínicos, quer as características maternas quer o historial de ISRS prescritos durante a gravidez.

Resultados: Mulheres que utilizaram ISRS durante a gravidez apresentaram maior taxa de nados-mortos ou de mortalidade neonatal. Porém, ao ter em conta outras variáveis (por exemplo: história passada de hospitalização por patologia psiquiátrica), não foi encontrada associação entre a utilização de ISRS durante a gravidez e o risco de nados-mortos ou mortalidade neonatal.

Comentário: São conhecidos os efeitos da utilização dos ISRS na gravidez (anomalias congénitas, Síndrome de Privação Neonatal e Hipertensão Pulmonar Persistente). Este estudo procurou perceber o seu efeito na mortalidade pré-natal e neonatal. Na prática, pouco acrescenta ao que já se sabe: os ISRS são um grupo farmacológico a evitar na gravidez sendo necessária a ponderação da sua utilização durante este período, tendo em conta os riscos a eles inerentes e a gravidade da patologia materna.

 

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