Por Joana L. Gonçalves, USF São Julião
Pergunta clínica: quais os sintomas associados ao consumo da mefedrona? Qual o tratamento?
Desenho do estudo: artigo de revisão publicado na Acta Médica Portuguesa
Enquadramento: O aumento súbito do consumo de mefedrona estará relacionado com o baixo custo, efeitos psicoestimulantes semelhantes aos do ecstasy e cocaína, não estar sujeita a controlo legal em alguns países, aquisição fácil online, em smart shops, discotecas, bares e na rua. A mefedrona é considerada uma anfetamina natural; é vendida maioritariamente sob a forma de um pó branco, amarelado, bege ou castanho e na forma de cápsulas ou pastilhas.
Conclusão: A mefedrona desencadeia no organismo um conjunto de sintomas semelhantes aos da cocaína e do ecstasy: euforia, aumento do estado de alerta, empatia, desinibição social, aumento moderado da libido e intensificação da perceção musical. Agitação, taquicardia, ansiedade, hipertensão, convulsões, dor pré-cordial e confusão são efeitos adversos frequentes. O tratamento das intoxicações por mefedrona deve ser orientado em função dos sintomas: reposição de volume com fluidoterapia, tratamento dos vómitos com antieméticos, bensodiazepinas para tratamento da ansiedade e agitação.
Comentário: O actual programa de formação em Medicina Geral e Familiar (Portaria n.º 300/2009) consagra a Urgência como estágio obrigatório. Sendo assim a identificação e abordagem das drogas de abuso incluem-se nas competências do médico de família actual. Portugal, através da Lei n.º 13/2012, de 26 de Março de 2013, incluiu a mefedrona na lista de substâncias controladas.
