NICE: tratamento da dislipidemia

Por Mariana Rio, USF São João do Porto

O Nacional Institute for Health and Clinical Excellence (NICE) recomenda a utilização da Sinvastatina, na dose de 40 mg por dia, como tratamento de primeira linha da dislipidemia. Não é estabelecido um alvo terapêutico de valor da lipoproteína de baixa densidade (LDL) na prevenção primária e na maioria dos doentes a fazer estatina como prevenção secundária.

A utilização de outras estatinas que não a Sinvastatina não fica posta de parte, mas deverá ser feita apenas em casos seleccionados:
– Hipercolesterolémia Primária – ponderar a utilização de uma estatina com eficácia superior à Sinvastatina (ver norma n.º 019/2011 da Direcção Geral de Saúde), de modo a reduzir o LDL em mais de 50%. A monoterapia com Ezetimibe pode ser uma opção nos casos com score de risco Framingham igual ou superior a 20%, se houver contra-indicação na utilização de estatinas ou se estas não forem toleradas.
– Diabetes Mellitus tipo 2 e Prevenção secundária em doentes sem história de Síndrome Coronário Agudo (SCA) – a dose de 40 mg de Sinvastatina mantém-se como tratamento de primeira linha. Se o colesterol total for superior a 150mg/dL e o LDL superior a 75mg/dL, considerar o aumento da Sinvastatina para 80mg ou mudar a terapêutica para um fármaco de eficácia e custo semelhante. Nos doentes em que há aumento da microalbuminúria, avaliar a possibilidade de intensificar a terapêutica, quer com a utilização de uma estatina mais eficaz, quer com a utilização do Ezetimibe.
– Doentes com história de SCA – tanto a Sinvastatina como a Atorvastatina, ambas na dose de 80mg, são eficazes. De umas perspectiva económica, o tratamento com Atorvastatina custa cerca de duas vezes mais do que a Sinvastatina. Porém, em Maio de 2012, terminará a patente da Atorvastatina. Para este grupo, o NICE não especifica objectivos terapêuticos.
Actualmente, no Reino Unido, os fármacos anti-dislipidémicos mais prescritos são a Sinvastatina e a Pravastatina, quer em monoterapia, quer em associação com o Ezetimibe. No que se refere às metas terapêuticas, não se encontram diferenças entre estatinas em doses eficazes semelhantes. Médicos que prescrevem estatinas de baixo custo atingem os mesmos objectivos terapêuticos que aqueles que prescrevem alternativas mais caras.
Não há evidência de que reduzindo a dose de estatina e associando Ezetimibe se obtenha melhor tolerância. Embora haja indicação para a sua utilização em alguns casos, não há ensaios clínicos que provem quaisquer benefícios do Ezetimibe.

Artigo original: www.npc.nhs.uk/merec/therap/other/merec_bulletin_vol22_no4.php#STA    

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