O risco de sobrediagnóstico do cancro da mama é elevado nas mulheres com mais idade

 

 

Pergunta clínica:  Qual é a probabilidade de sobrediagnóstico de cancro da mama em mulheres com mais de 70 anos, após o rastreio?

Desenho do estudo: Neste estudo coorte retrospetiva os investigadores utilizaram uma base de dados pré-existente para identificar mulheres com mais de 70 anos, com mamografia recente, às quais fizeram um seguimento até 15 anos. Nesse sentido, fizeram uma abordagem a dois passos:
1º Identificação das mulheres sem cancro da mama com rastreio negativo após os 70 anos;
2º Acompanhamento destas mulheres para verificar se realizaram nova mamografia nos 3 anos seguintes e um eventual diagnóstico subsequente de cancro da mama.
Desta forma, foi possível comparar a incidência cumulativa de cancro da mama nas que continuaram a realizar mamografia vs nas que cessaram o rastreio aos 70 anos.

Resultados: Num conjunto de 54 635 mulheres, o rastreio não conduziu a redução de mortes relacionadas com cancro da mama. As mulheres com idades compreendidas entre os 70 e os 74 anos tiveram uma incidência cumulativa de cancro da mama de 6,1 casos por cada 100 mulheres rastreadas, em comparação com 4,2 casos por cada 100 mulheres não rastreadas, o que resultou numa estimativa de 31% de sobrediagnóstico do cancro da mama. Nas mulheres entre os 75 e os 84 anos, a incidência foi de 4,9 contra 2,6 por 100 mulheres, sendo a taxa de sobrediagnóstico de 47%. Mais de metade das mulheres, 51%, com idade superior ou igual a 85 anos e com um diagnóstico de cancro da mama, morreram por outra causa.

Comentário: Este estudo revela evidência de que prolongar o rastreio para além das idades em que é atualmente recomendado, leva ao aumento do sobrediagnóstico de cancro da mama. Esta evidência é ainda mais relevante se pensarmos que se tem vindo a registar um aumento da esperança média de vida. Provavelmente, nestes grupos etários, a probabilidade de dano associada a este rastreio supera ainda mais a probabilidade de benefício.

Artigo original: Ann Intern Med

Por Maria Santos, USF Viseu-Cidade

 

 

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