Portugal ao espelho

Era uma vez uma casa onde vivia um reformado, uma médica, uma professora, um juiz, um militar, um banqueiro e um padre. Viveram alegres e contentes durante algum tempo… Cada um trabalhava na sua área, excepto o reformado pois havia chegado a altura de gozar um pouco a vida para compensar os anos de trabalho já vividos. Tinham bons vizinhos, todos prosperavam… Não olhavam para trás quando queriam comprar uma casa maior, outra no campo e outra na praia. Os vizinhos emprestavam-lhes dinheiro. Foram pedindo tanto dinheiro emprestado até que chegou o momento em que já não conseguiam pagar as dívidas.

Reuniram-se todos.

Era necessário que todos se sacrificassem um pouco para conseguirem pagar as dívidas de todos. O reformado recusou logo participar nos sacrifícios, pois tinha contribuído durante longos anos para agora poder gozar a vida. A médica ameaçou logo que assim não teria forma de garantir a qualidade dos cuidados de saúde dos outros membros da casa. A professora recusou colaborar alegando não ter condições para tal. O juiz ficou calado, prometeu pensar sobre o assunto e foi adiando a resposta… O banqueiro ameaçou com a bancarrota de todos. O padre falou dos mais necessitados, irritou-se com o banqueiro e aliou-se ao militar ajudando a inflamá-lo. O militar recusou sacrificar-se pois assim não teria condições para garantir a defesa de todos os membros da casa.

E a casa, no seu conjunto, continuou a gastar mais dinheiro do que tinha. A despesa continuou a ser superior ao rendimento.

E as discussões prolongaram-se por muito tempo…

No final, o reformado, a médica, a professora, o juiz e o banqueiro morreram à fome, mas alguns fugiram da casa a tempo. O militar ficou sem ninguém para defender e morreu à fome. O padre ficou sem almas para salvar e sem saber o que devia ter feito para se salvar a si próprio, também faminto se finou….

Os vizinhos venderam a casa e repartiram entre si o resultado da venda.

 

Post scriptum

O que eu gostaria que a sociedade portuguesa e os políticos fizessem? Que todos compreendessem a urgente necessidade de um diálogo construtivo de forma a tornar a nossa casa governável.

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