Por Philippe Botas, USF Topázio
Pergunta: Como fazer uma pesquisa bibliográfica com eficácia?
Enquadramento: Existem mais de 25000 revistas biomédicas, 8000 artigos publicados por dia, 1500 novos artigos médicos na Medline por dia, 30kg de guidelines, 20000 ensaios clínicos por ano, 50 novos ensaios aleatorizados por dia. A Medicina Baseada na Evidência contribui para apoiar a tomada de decisão clínica e é muito útil num contexto em que se verifica o aumento exponencial da informação médica disponível.
Resultados: A forma mais rápida para se manter actualizado compreende duas estratégias para recuperar informação:
-Push: a informação alcança o médico (“empurrada”). Permite que informação de alta qualidade e criteriosa seja enviada para a caixa de correio do médico.
-Pull: procurar (“puxar”) a informação quando é necessária. Método utilizado quando surgem questões clínicas. Dois passos importantes deste método, pormenorizados no artigo, são o ASK (definir uma questão clínica focada e clara, auxiliada pela estratégia PICO) e o ACQUIRE (localizar a evidência e obter informação nas fontes adequadas).
Na estratégia Pull a obtenção de informação pode ser através de motores de meta-pesquisa como o TRIPDatabase ou o SUMSearch, que são sites que permitem pesquisar muitos recursos em simultâneo de acordo com os critérios de pesquisa definidos. Para uma pesquisa mais abrangente e metódica, o modelo de Haynes dos 5 S, representado por uma pirâmide, organiza a evidência em 5 níveis: Systems (ferramentas computorizadas de apoio à decisão clínica – em desenvolvimento); Summaries (exemplo. Up-to-Date); Synopses (exemplo. Evidence Based Medicine); Syntheses (exemplo. Cochrane); Studies (Clinical Study Category da PubMed).
Conclusão: Deve ser usado o método Pull pois este permite que a informação pertinente, sintetizada e actual vá ao encontro do médico.
Comentário: Este artigo é uma ferramenta muito útil para todos os médicos; enumera recursos que permitem o acesso rápido a informação clínica de qualidade, esclarece sobre alguns conceitos e também fornece estratégias muito úteis para quem pretende fazer revisões baseadas na evidência. A minha sugestão de leitura complementar é o artigo da RPMGF “Como fazer uma revisão baseada na evidência” de Raquel Braga e Miguel Melo. No artigo não há referência a recursos electrónicos em português. Especificamente na área da MGF, o portal MGFamiliar.net é uma credível fonte de informação e actualização. Sem dúvida que a informação disponível em meios electrónicos auxilia a prática clínica diária. Mas também é verdade que essa informação tem que ser bem filtrada. Muitas fontes de informação de acesso livre a todos, contribuem para aumentar a confusão dos utentes e em alguns casos podem gerar conflito. O médico deve ter competências na gestão deste “novo mundo” e prever que o utente pode procurar informação em sites. Neste sentido, alertar e orientar na pesquisa de fontes fidedignas é boa prática preventiva. A questão que se coloca é: toda a evidência clínica publicada é isenta de influências fora do âmbito da saúde da pessoa?
