Psoríase associa-se a risco aumentado de fibrilhação auricular e acidente vascular cerebral

Lígia Torres Lima, USF São João de Sobrado

Pergunta Clínica: Os doentes com psoríase têm risco aumentado de fibrilhação auricular (FA) e acidente vascular cerebral isquémico (AVC)?

Sinopse: Num estudo de coorte retrospectivo realizado na Dinamarca, Ahlehoff et al. investigaram o risco de FA, AVC isquémico ou ambos em doentes com psoríase (36.765 com psoríase ligeira; 2.793 com psoríase grave), comparando com os controlos (4.478.926 indivíduos da população geral dinamarquesa). Recorreram a registos hospitalares datados de 1997 a 2006, assim como à base de dados nacional de prescrição e registo nacional de óbitos.

Houve seguimento completo de 96% dos doentes, durante 10 anos.

A psoríase associou-se fortemente a um risco aumentado de FA:

– psoríase ligeira: razão de incidências ajustada (RR – rate ratio) = 1.50 (IC 95%, 1.21-1.86) para doentes < 50 anos de idade e 1.16 (1.08-1.24) para doentes ≥ 50 anos;

– psoríase grave: RR = 2.98 (1.80-4.92) em doentes < 50 anos e 1.29 (1.01-1.65) em doentes ≥ 50 anos.

Da mesma forma, mostrou-se um risco aumentado de AVC nestes indivíduos:

– psoríase ligeira: RR = 1.97 (1.66-2.34) em doentes < 50 anos e RR = 1.13 (1.04-1.21) em doentes ≥ 50 anos;

– psoríase grave: 2.80 (1.81-4.34) em doentes < 50 anos e RR = 1.34 (1.04-1.71) para doentes ≥ 50 anos.

Conclusão: Este estudo mostrou que a psoríase no adulto associa-se, significativamente, a um risco aumentado de FA e AVC, de forma mais marcada em indivíduos com menos de 50 anos e psoríase grave.

Estes dados vêm reforçar a evidência de que as doenças inflamatórias crónicas associam-se a maior risco de doença cardiovascular, cabendo ao clínico informar o doente desse mesmo risco. Face às conclusões, questionamo-nos se, nestes indivíduos, deveremos ser mais agressivos no controlo dos factores de risco e no tratamento da doença de base.

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