Por Helena Cabral, IFE MGF – USF Garcia de Orta
Depois de divulgados em Novembro de 2010, foram agora publicados os resultados do National Lung Screening Trial, um ensaio do National Institute of Health: o rastreio por TAC de baixa dose reduz a mortalidade por cancro do pulmão.
Este ensaio pretendia comparar o uso de TAC de baixa dose para rastreio de cancro do pulmão com o uso de radiografia de tórax convencional em fumadores e ex-fumadores (cerca de 53000), com consumo de pelo menos 30 UMA e idades compreendidas entre os 55 e 77 anos. Foi feito rastreio anual durante 3 anos, não havendo depois protocolo formal para resultados positivos.
Durante os 6 anos e meio de seguimento, comprovou-se uma diminuição significativamente maior da mortalidade específica por cancro do pulmão no grupo submetido a TAC de baixa dose (1.33% vs 1.66%). Para prevenir 1 morte foi necessário rastrear 320 indivíduos. No entanto, a taxa de falsos positivos foi elevada, dos 39% no grupo de TAC de baixa dose e 16% no grupo de radiografia convencional com pelo menos 1 rastreio positivo, 95% foram falsos positivos.
No grupo submetido a rastreio por TAC de baixa dose, no seguimento de um resultado positivo, foram efectuados diversos exames e procedimentos diagnósticos invasivos, com 12% dos pacientes a quem foi eventualmente diagnosticado cancro de pulmão a terem complicações major, bem como < 1% dos pacientes a quem não foi diagnosticado cancro.
Foi possível concluir que, apesar da diminuição de mortalidade comprovada realizando rastreio com TAC de baixa dose, se deverá aguardar por estudos de custo-efectividade para que esta medida possa ser aplicada na comunidade, uma vez que este é um exame ainda pouco disponível e a elevada taxa de falsos positivos poderá trazer elevados custos e morbilidade para os pacientes.
Artigo original: http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1102873
