Revisão das interacções com fármacos de contracepção hormonal – principais alterações

Por Diana Carneiro, IFE MGF, USF Horizonte

A Faculty of Sexual and Reproductive Healthcare publicou, em Janeiro de 2011, uma nova orientação sobre as interacções medicamentosas com os contraceptivos hormonais. Nesta publicação, foram mencionadas algumas alterações relativamente à orientação anterior, das quais saliento:

– Antibióticos: Juntamente com a World Health Organization e a U.S. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, a Clinical Effectiveness Unit recomenda que não são necessárias precauções adicionais quando se utilizam contraceptivos hormonais combinados e antibióticos não indutores enzimáticos, por um período de três semanas ou menos e desde que não ocorram vómitos ou diarreia. Contudo, é necessário recomendar precauções contraceptivas adicionais quando prescrevemos antibióticos indutores enzimáticos (rifampicina, rifabutina).

– Outros fármacos indutores enzimáticos: Todas as mulheres que iniciem este tipo de fármacos devem ser aconselhadas a utilizarem um método contraceptivo fiável (progestagénio injectável, dispositivo intra-uterino de cobre, sistema intra-uterino com levonorgestrel).

– Griseofulvina: A classificação da griseofulvina como um fármaco indutor enzimático oriunda dos estudos efectuados em ratos não foi confirmada nos estudos realizados em seres humanos. Contudo, alterações menstruais e gravidezes foram reportadas. A aparente falta de interacções entre a griseofulvina e muitos outros fármacos que são substratos das enzimas hepáticas sugere que a griseofulvina não é um indutor enzimático clinicamente importante.

– Anticoagulantes cumarínicos (varfarina): O uso de estrogénios e/ou progestagénios tem sido associado tanto a aumento como a decréscimo do efeito anticoagulante. Dada a falta de evidência, uma verdadeira interacção é improvável.

– Lansoprazol: Existe evidência de que este fármaco não induz nem inibe as enzimas envolvidas no metabolismo dos contraceptivos hormonais.

– Lamotrigtina: Novas evidências sugerem que a contracepção hormonal combinada não deve ser recomendada a mulheres a efectuarem lamotrigtina em monoterapia devido ao risco do reduzido controlo das crises convulsivas e à potencial toxicidade. O significado clínico desta interacção é desconhecido e portanto novos estudos são necessários para alterar as recomendações já existentes.

– Tacrolimus: A orientação anterior, publicada em 2005, contém um erro indicando que este fármaco é um indutor enzimático, sendo o tacrolimus um inibidor enzimático.

– Acetato de ulipristal: Existe uma redução teórica na eficácia dos contraceptivos contendo progestagénios com este contraceptivo de emergência. Precauções adicionais são necessárias.

Nesta orientação são abordados os seguintes temas: o mecanismo de interacção dos fármacos com os contraceptivos hormonais, o que deve ser discutido com as mulheres que estão a efectuar contracepção hormonal quando prescrevemos um fármaco, os fármacos que podem afectar a eficácia contraceptiva (ver apêndice 3 com uma tabela resumo) e os métodos contraceptivos adicionais que se recomendam em caso de diminuição da eficácia da contracepção hormonal. Portanto, esta orientação é um documento muito útil para a prática clínica e uma leitura fundamental para todos os profissionais de saúde.

Artigo original: http://www.ffprhc.org.uk/pdfs/CEUGuidanceDrugInteractionsHormonal.pdf

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