Sedentarismo: factor de risco independente

 

 

Pergunta clínica: O sedentarismo prolongado é um factor independente que aumenta o risco de doença?

Enquadramento: Segundo a OMS cerca de 3,2 milhões de pessoas morrem todos os anos porque não são suficientemente activas, tornando o sedentarismo o quarto principal factor de risco para a mortalidade em todo o Mundo. Segundo a Sociedade de Saúde Pública do Canadá, as actividades sedentárias não devem ultrapassar as 4-5 horas por dia por pessoa.

Desenho do estudo: Revisão sistemática com meta-análise de estudos que avaliavam o comportamento sedentário em adultos, ajustados para a sua actividade física, correlacionando com pelo menos um ”outcome”. Foram incluídos os artigos publicados na MEDLINE, PubMed, EMBASE, CINAHL, Cochrane Library, Web of Knowledge e Google Scholar.

Resultados: Foram seleccionados 47 artigos, dos quais 14 sobre doenças cardiovasculares e diabetes, 14 sobre cancro e 13 sobre todas as causas de mortalidade. A maioria dos artigos (44) eram estudos prospectivos de coorte. O tempo de sedentarismo foi quantificado pelos próprios indivíduos estudados em quase todos os estudos (excepto num deles).

Os estudos demonstraram uma associação entre sedentarismo e mortalidade para qualquer causa (Taxa de risco significativo – TRS – 1.240 [IC 95%. 1,090-1,410]); mortalidade por doença cardiovascular (TRS 1,0 [IC 95%. 1,090-1,410]) e mortalidade por cancro (TRS 1,173 [IC 95%. 1,108-1,242]), Foi também relatado um aumento da incidência de: doença cardiovascular (TRS 1,143 [IC 95%. 1,002-1,729]); cancro (TRS 1,130 [IC 95%. 1,053-1,213]) e diabetes tipo 2 (TRS 1,190 [IC 95%. 1,642-2,222]). Estas taxas de risco foram mais pronunciadas em indivíduos com níveis mais baixo de actividade física e aumento de tempo de sedentarismo, do que quando comparados com níveis mais altos de actividade física.

Limitação: Heterogeneidade na definição e na avaliação da quantificação do tempo de sedentarismo e de actividade física.

Comentário: A evidência até agora publicada parece indicar que o sedentarismo prolongado é um factor de risco independente de doença. Sendo assim, na prática clínica, devemos não só fomentar a prática de actividade física, mas também encontrar estratégias para evitar a inactividade. Os próximos estudos devem esclarecer, nomeadamente, quais as ferramentas pertinentes para monitorizar a actividade diária bem como o tempo sedentário.

Artigo original: Ann Intern Med

Por Ângelo Costa, USF Al-Gharb 

 

 

 

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