Suplementação com ácidos gordos ómega 3: qual o seu papel na prevenção secundária da doença cardiovascular?

Por Diana Carneiro, IFE MGF, USF Horizonte

Questão Clínica: Será que a suplementação com ácidos gordos ómega 3 é eficaz na prevenção secundária da doença cardiovascular?

Resumo: Recentemente foi publicada uma meta-análise que teve como objetivo verificar a evidência disponível sobre a eficácia da suplementação com ácidos gordos ómega 3 na prevenção secundária da doença cardiovascular (DCV).

Foram selecionados 14 ensaios clínicos, aleatorizados, controlados e duplamente cegos, nos quais foram identificados 20485 doentes com história de DCV.

A suplementação com ácidos ómega 3 não reduz o risco de eventos cardiovasculares (RR=0.99, IC= 95%, 0,89-1,09, I2= 27.1%). Não foi observada uma diferença estatisticamente significativa para os outcomes avaliados: angina estável e instável, insuficiência cardíaca congestiva, enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral, acidente isquémico transitório, morte cardíaca súbita, enfarte do miocárdio fatal e todas as causas de mortalidade.

Contudo os estudos incluídos nesta meta-análise apresentam algumas limitações: realização da suplementação de ácidos gordos ómega 3 em indivíduos com DCV e com a consequente medicação preventiva, realização dos estudos apenas na população ocidental e por um período de seguimento curto (2 a 3 anos).

Conclusão: Apesar dos estudos anteriores defenderem a eficácia da suplementação com ácidos ómega 3 na prevenção secundária da DCV, esta meta-análise publicada recentemente não encontrou evidência suficiente para recomendar esta suplementação (nível de evidência 1 A).

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